quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Morfina e Heroína


Acabo de assistir um filme que provavelmente todo mundo já deve ter assistido, chamado Trainspotting, bom pra saber do que se trata, clique no nome. O que nos interessa aqui é a droga mais usada no filme a heroína, sendo assim aproveito também pra falar da sua mãe, a morfina.

A Morfina.


Fórmula estrutural da Morfina
É o alcaloide mais abundante no extrato de ópio, representando cerca de 10% desse extrato. Foi isolada pela primeira vez em 1803 pelo boticário francês Friedrich Sertuner, e deu o nome de morfina ao composto em alusão a Morfeu, o deus romano dos sonhos. A morfina é um narcótico, entorpece os sentidos (eliminando a dor) e induz ao sono.

Nos dias atuais, a morfina e os compostos a ela relacionados a ela, ainda são os mais eficazes analgésicos conhecidos! 
Lamentávelmente, o efeito parece estar relacionado ao vício.

É, eles tentaram...

Em 1898, Fred Hofmann e outros químicos, no laboratório da Bayer and Company submeteram a morfina a reação de acilação, na tentativa de modificá-la quimicamente, para produzir um analgésico melhor, e menos viciante. O resultados iniciais foram muito bons! A diacetil morfina, nome  do produto da acilação da morfina, era um analgésico ainda mais poderoso que a morfina, ainda que em doses extremamente baixas, MAS, sua eficácia escondia um problema muito maior. Antes de falar desse problema, saibam que o nome comum da diacetil morfina era:

Heroína.

Heroína da Bayer and Company
Sim a droga extremamente promissora é também uma das mais viciantes que se tem conhecimento. Tal desiguinação refere-se a um medicamento "heróico" (haha).

Os efeitos fisiológicos da morfina e da heroína são os mesmos, dentro do cérebro a heroína é transformada em morfina (reação inversa a da sua fabricação), porém a molécula da heroína, por ter essa modificação química, é mais facilmente transportada pelo sangue através da barreira sangue-cérebro, produzindo a euforia rápida e intensa!

A heroína da Bayer, que inicialmente diziam ser isenta de efeitos colaterias, como os apresentados na morfina, como constipação, náusea e o vício (é, a aspirina de hoje é o veneno de amanhã...), foi comercializada como calmante da tosse, remédio para dores de cabeça, asma, efisema e até tuberculose. Quando os efeitos colaterais dessa "superaspirina" passaram a ser inegáveis, a Bayer and Company, sem fazer alarde, parou de anunciá-la

Quando as patentes originais do ácido acetilsalicílico (AAS, aspirina) expiraram em 1917, e outras companhias começaram a produzi-lo, a Bayer moveu processos por violação de seu direito autoral sobre o nome. Mas a respeito da heroína, a empresa não moveu se quer um processo, que estranho né? Por que será?


Atualmente.

Foto do filme Trainsppoting. já adianto, todo mundo ai 
usa a droga... hahaha 

Atualmente a maior parte dos países proibe a importação, fabricação e posse da droga. Mas isso não impede seu comércio e fabricação ilegal. Os laboratórios montados para fabricá-la a partir de sua mãe, a morfina, tem dificuldade de descartar o ácido acético, subproduto da fabricação, que tem forte cheiro de vinagre (que é uma solução a 4% desse ácido), isso alerta as autoridades, que tem a sua disposição, cães treinados para detectar odores ínfimos de vinagre, abaixo da nossa sensibilidade.


Mas por que elas funcionam???

Porque te deixam doidão! Brincadeira... As investigações a respeito sugerem que a morfina e seus semelhantes, não interferem nos sinais nervosos enviados ao cérebro, e sim mudam a forma com que o cérebro recebe tais mensagens. A molécula da morfina parece ser capaz de ocupar e bloquear um receptor da dor no cérebro, essa teoria se relaciona a idéia de que, uma molécula precisa ter determinada forma de estrutura química para se ajustar a um receptor da dor. A morfina imita a ação das endorfinas, que são neurotransmissores, quem servem como mitigadores naturais da dor e cuja a concentração aumenta em momentos de estresse.


 Sugestão de leitura: Essa postagem foi baseada em um ótimo livro que li a um tempo, chamado Os Botões de Napoleão, As 17 moléculas que mudaram a história.

Fontes: Estão citadas nos links!

Fotos: Google e Wikipédia

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